8 de dezembro de 2011


A COOTRACAN DESTRAVADA!

Em meados de 1998 pessoas inscritas para o projeto Morada do Sol deixavam tristes o prédio da Prefeitura por não terem sido sorteadas para uma casa. Eram 180 famílias inscritas para apenas 50 casas. Convidei-as para debater a possibilidade de organização de uma cooperativa habitacional. Fizemos isso com as que aceitaram a ideia e em 19 de outubro de 1998 a Cooperativa Habitaciuonal dos Trabalhadores de Candiota – Cootracan - foi fundada com 36 famílias associadas. Tivemos a prestimosa ajuda dos vereadores Luiz Carlos Folador _ hoje o Prefeito de Candiota – e Anselmo Malaguez, ambos do PT Após a fundação mais pessoas associaram-se e, hoje ,são 80. Cotizaram-se, no melhor espíirito coletivo e solidário, e compraram a área de 4,5ha junto ao São Simão. Ao terminarem de pagar a área para obterem a escritura tiveram que recorrer à Justiça. Isto já em setembro de 2002. O geverno municipal havia mudado e, daí para diante, os que se seguiram ignoraram a Cootracan e tudo ficou parado.

Ainda em fins de 2008 fui procurado por associados da cooperativa. A primeira tarefa que tivemos foi a de reconstituir sua direção. Garimpamos endereços, no que fomos ajudados pela imprensa, A 1ª Folha e a Rádio Interativa foram grandes parceiras e em 20 de outubro daquele ano foi eleita uma diretoria que começou a reorganizar a entidade. Assim que assumi uma cadeira no Legislativo Candiotense, como reserva do meu valoroso companheiro vereador Artêmio Parcianello, que foi para a SOSP, onde está realizando excelente trabalho,tomei a decisão de acompanhar e ajudar, no que for necessário, até que as(os) associadas(os) estejam morando em cima de seus lotes, nas suas próprias casas.

Passei a examinar a documentação e descobri que faltava um laudo geológico para completar a documentação para o licenciamento ambiental. Fui até a CRM e conversei com o Geólogo Rui Osório. Disse-me, prontamente, que faria o laudo desde que tivesse autorização da direção da empresa. Imediatamente falei com o Dr. Aldo Meneguzzi, Superintendente da Mina de Candiota naquela época, que nos pediu um ofício do Prefeito Folador solicitando. O Prefeito imediatamente enviou esse ofício e o engenheiro Meneguzzi autorizou a feitrura do laudo. Em 26 de maio de 2009 esse laudo estava pronto e o Coordenador Administrativo da Cootracan, Dorlei Saraiva Soares, juntamentre comigo e o Chefe de Gabinete do Prefeito Folador , o dileto companheiro Oxcilei Duarte de Quadros, recebeu-o das mãos dos doutores Rui Osório e Aldo Meneguzzi.

Mas havia mais tranqueiras pela frente. Uma dívida de multas com a Receita Federal, completa desorganização da documentação e nenhuma lista das famílias associadas com seus respectivos endereços e telefones. Era urgente pagar essa dívida para poder obter certidão negativa de débito e poder credenciar a cooperativa nos órgãos oficiais. A Diretoria propos aos associados uma cotização especiual para esse fim. Em agosto deste ano – 2011 – a Diretoria pagou a última parcela da dívida.

Nesse meio tempo várias ações foram sendo feitas. O Prefeito Folador, parceiro na fundação, declarou seu apoio ao destravamento da entidade e os órgãos da Prefeitura entraram em ação. Segundo seu anúncio, feito sexta-feira à noite, na assembléia geral que elegeu nova Diretoria, os projetos hidráulico, de saneamento e elétrico do loteamento estão prontos. Em meados de agosto deste ano protocolei ante-projeto de lei na Câmara de Vereadores que auriza o Executivo Municipal a decretar a área da Cootracan como Zona Especial de Interesse Social – ZEIS. O Prefeito Folador já o recebeu e o remeteu de volta ao Legislativo sob forma de projeto de lei. Já tramitou nas comissões da Casa e já o aprovamos em Plenário, por unanimidade, na ´ultima segunda-feira, dia 05/12. Aprovada essa lei, e sancionada pelo Prefeito, qualquer agência governamental fica autorizada a entrar nessa gleba e realizar obras. Assim a Prefeitura poderá instalar água potável. Ela, ou a Funasa, poderá realizar obras de esgotamento pluvial e cloacal e o arruamento. A CEEE poderá instalar energia elétrica. Dia 06/121 estivemos, o Prefeito Folador e eu, na CEEE, em Porto Alegre, em audiência com o técnicos da área de distribuição para preparar o caminho para o encaminhamento dos projetos necessários para a instalação da rede de energia elétrica, tão,logo a lei que declarar a área da Cootracan uma ZEIS seja promulgada.



5 de dezembro de 2011

 
O FUTURO DO PDT DE CANDIOTA SOB ÓTICA POSITIVA
Prezado Taylor Lima:

Costumo, sempre que posso, ler os blogs candiotenses, dentre eles o Teclando 7. Como já afirmei publicamente, várias vezes, considero-o excelente. Faço especial ressalva à recepção dos anônimos que considero um processo antidemocrático. Após 21 anos de exceção e censura conquistamos o direito de livre expressão do pensamento. É necessário assegurar isso na prática. O uso do anonimato representa renúncia a esse direito e, ao mesmo tempo, referenda os desejos escusos daqueles que almejam a volta do arbítrio. E os órgãos de comunicação que os incentivam praticam heresia contra a própria liberdade de comunicação. Hoje não há motivo algum para alguém esconder-se para emitir opinião.

Como trouxeste a público a questão das coligações para as eleições de 2012, mais precisamente as relações que envolvem o PT e o PDT nesta Conjuntura, sinto-me na obrigação, como velho militante do movimento pupolar, do movimento socialista e do PT, de fazer algumas observações, na tentativa de tornar mais claro o ambiente em que essas relações se dão.

Começo por lembrar-te que enuncias conclusões sem explicitar a análise da Conjuntura que as geraram. Sem analisar o ambiente em que as coisas acontecem, como entender de onde vieram?Quero lembrar-te que o PDT ocupa duas secretarias de estratégica importância para a Comunidade. A Secretaria de Meio Ambiente, Indústria, Comércio, Serviços e Turismo é uma super-secretaria. Primeiro por tratar de toda a questão ambiental o que envolve as relações de todos os cidadãos entre si, isto é, 100% da população de Candiota, suas relações com o Meio Ambiente enquanto indivíduos, suas relações com o meio produtivo, as relações deste meio produtivo entre si, as questões da geração de emprego e renda e toda a gama de ações para o desenvolvimento do Município. Esses dois temas, Meio Ambiente e Desenvolvimento, estão permanentemente na agenda dos cidadãos, dos agentes públicos, dos empreendedores, dos movimentos populares e sin dicais e dos partidos políticos. E isso não é pouca coisa.

A Secretaria de Cultura, que envolve também esportes, tem tamanha dimensão que perpassa, igualmente, a Sociedade como um todo. A Cultura, trabalhada como instrumento civilizatório, ferramenta de burilamento do espírito do Ser Humano para as relaçoes cada vez mais qualificadas entre a imensa diversiddade de manifestações de credos, etnias, classes sociais,gêneros, grupos especiais por faixa etária, portadores de necessidades especiais, cumpre papel muito superior à Secretaria de Obras ou à de Educação ou à de Saúde. Nota que as duas secretarias que o PDT conduz penetram absolutamente toda a Sociendade Candiotense, ennquanto as demais apenas compartimentos dela. Ou tu, Taylor, não consegues enxergar essas secretarias além do Canto Moleuqe e do Aterro Sanitário, o que já seria importantíssimo, ou falta algum ingrediente em tua análise que te possibilite sentir o peso real que elas tem. Não seria isenção? É apenas indagação.

O outro aspecto, que analiso, parte da “ encruzilhada “ onde, creio eu, te perdeste. Dela, prezado Taylor, partem dois caminhos , tendo o PDT que escolher um deles. Começo pelo que chamas de “ a mais lógica “, a aliança com o PT. Tua referência aqui é depreciativa - “pirulito” - e deixas a impressão de que consideras a Direção do PDT como um grupo de pessoas ingênuaas e ou infantis. Se entendi bem consideras que elas não tem condições de fazer a análise correta da Conjuntura. Pelo que conheço delas, dialogo com elas com frequência, assisto-as fazendo política, são muito maduras e politizadas, com visão muito clara do passado, do presente e do futuro.

O PDT, a rigor, já tem tres secretarias, pois a Secretaria de Administração e Finanças é ocupada pelo Companheiro Granatto, liderança regional do PDT. Mais uma secretaria, o tal “pirulito” - não vais me dizer que quando eras menino não gostavas de pirulito – passará a ser a QUARTA. Nenhum dos patridos da União pela Mudança, Taylor, tem mais do que uma secretaria. E este é o caso do PSDB que tem a da Saúde. Significa que o PDT é considerado dentro da magnitude e da grande importância que tem, bem diferente da tua afirmativa, embora não tenha participado da cmapnha pela eleição deste projeto que o abriga hoje. Pelo contrário, esteve do outro lado.

Agora abordo as condições dos dois caminhos. A aliança com o PT terá, para o PDT, o significado, Taylor, de continuar embarcado em um projeto no qual é PROTAGONISTA , sim,realizador, includente, organizador da cidade, moderno, produtor de mudanças profundas, muitas das quais a Cidadania já sente fortemente e muitas outras com repercussão a mais longo prazo, como os efeitos da criação das secretarias de Meio Ambiente e o credenciamneto da Prefeitura para fazer o licenciamento ambiental aqui, e da Ação Social, dos projetos de habitação popular que propiciarão moradia, a curto prazo, para cerca de 700 famílias, da regularização fundiária, que colocará nas mãos de centenas de cidadãos do João Emílio, da Vila Cimbagé e de Dario Lassance as tão sonhadas escrituras de seus terrenos, da Prefeitura desencalacrada e com crédito, do parque de máquinas renovado, realizando obras, mantendo as estradas em excelentes condições de trafegar,da frota nova de veículos que oferece condições de os funcionários exercerem suas funções e da otimização do transporte escolar, dos mais de 50 cidadãos de baixa renda na universidade por meio do Proesc, dos encaminhamentos corretos para garntir o direito de morar com dignidade dos moradores da Portelinha e do Areal, com instalação de água potável, energia elétrica, snaeamento e a propriedade dos terrenos, com o asfaltamento da Luiz Chirivino, da Vinte e Quatro de Março – na frente da tua casa - do entorno da Vila Operária, das dezenas de abrigos de ônibus, de um projeto de saneamento que qualificará a água potável e levará água da melhor qualidade para centenaas de assentados, enfim uma administração com a qual a População de Candiota sempre sonhou e lhe era negada.

O segundo caminho, que apontas como radioso para o PDT, já foi rejeitado pelo Povo na eleição passada. Para refrescar a memória lembro-te que PMDB e PDT estavam coligados e perderam para a coligação PT/PSDB/PTB/PSB/PSC. E o Folador ainda não era Prefeito e o Povo de Candiota ainda não conhecia uma administração tão comprometida com a solução dos seus reais problemas, tão ágil na concepção dos projetos e tão ágil em sua execução. O Povo de Candiota ainda não tivera um prefeito e um vice que agissem com presteza e com destreza e com tanta harmonia como Folador e Paulo Brum. Mas recomendas que o teu partido se coligue com outro que está em franca e notória decomposição. Devido às péssimas administrações que fez – governou por doze anos e fez muito menos do que a atual, que tem apenas tres - o Povo vem se afastando dele e reconhece a eficiência da atual administração. Dezenas de lideranças deixaram o PMDB. Esse processo ainda não acabou e essa sangria não vai estancar tão cedo. No auge da campanha, quando todos os sentidos da Cidadania se voltarem para essa disputa – que é a maior que se travará na Sociedade – e os dois projetos entrarem em avaliação – o que restar – se é que restar -´de brilho, no teu preferido parceiro, desandará completamente e quem estiver a ele colado será arrastado junto. Entendo que o PDT não merece isso. É aqui que a casa a que te referes viraria ruínas por uma coupação equivocada, por propores levar para dentro dela uma espécie de “ cavalo de tróia”.

Finalmente quero analisar contigo duas afirmações, que fazes, que a minha consciência socialista, humanista, solidária fez com que me sentisse estarrecido. A primeira é qundo afirmas “ na vala comum dos pequenos partidos”. Quero lembrar-te que “ vala comum” é o lugar onde a prática capitalista enterra pessoas que considera “ indigentes” ou onde o crime organizado enterra seus executados. Usar esta expressão para enquadrar um partido político, tenha o tamanho que tiver, é rebaixá-lo ao extremo Um partido forma-se a partir de idéias ( elementos virtuosos ) com a finalidade de tazer política ( outro elemnto virtuoso) e seu tamanho não dá a medida de sua importância. Tratar, portanto, com desprezo um partido por que é pequeno sempre foi, para nós de formação socialista, considerado um ato reacionário e retrógrado, indigno de quem quer uma sociedade realmente democrática. Para nós o PTB, o PSB, o PcdoB, o PSDB, o PSC são expressões de conjunto de idéias respeitáveis e imprescindíveis para afirmar a pluralidde de concepções inerentes à Democracia, não importando seu tamanho.

A outra afirmativa estarrecedora, que fazes, é que “ o foco “ único do PDT, na tua visão, é apenas vencer as eleições, elegendo mais vereadores e ter o vice, não importando a que projeto sirva. Aqui fazes uma confissão de que o objetivo partidário é apenas aparelhar o Município, ocupar cargos sem nenhum objetivo social de profundidade, mas promover personalidades, empregar cabos eleitorais, usar as estruturas da institucionalidade para obter vantagens pessoais, posto que o teu parceiro preferido nunca teve um programa. Chego a imaginar que o saudoso Dr. Brizola deva ter se contorcido no túmulo com um membro de direção de seu partido fazendo tais afirmativas. Que eu lembre não foi para isso que ele criou o PDT. Também não acredito que militantes extraoredinários do porte de seu Gregório, da Fernanda, do Lazareno, do Guilherme, do Celso, da Fátima Rosane,do Aroldo, do Gil Deison, do Pablo pensem do mesmo modo. Um partido cresce, mesmo sem cargos, se tiver projeto e o trabalhar junto aos diversos segmentos da Sociedade.

A tua aritmética também está defasada. De início é inintelegível a afirmativa de que o Roger, ou a Tauana, só concorreria se o Rui, ou a Sandra, fosse candidata(o). Não consegues ver os quatro como candidatos a vereador, somando votos. Esta, sim, seria aritmética positiva para aumentar a bancada do PDT, mas com um projeto, o da União pela Mudança, projeto generoso que está transformasndo Candiota numa cidade muito boa para se trabalhar e viver.

Um forte abraço.

Vereador João Couto.

domingo, 4 de dezembro de 2011

O Futuro do PDT de Candiota

Por: Taylor Lima

Embora eu raramente trate de assuntos do PDT aqui no blog Teclando 7, me sinto instado a manifestar-me sobre o atual momento do partido, importante e decisivo para o seu futuro. Isto é, uma verdadeira encruzilhada. 

Quem participou da vida orgânica do partido, nos últimos 12 meses, sabe o quanto defendi e trabalhei para preparar o partido para a manutenção de nossa bancada de vereadores, quiçá aumentá-la, e a participação com candidato na chapa majoritária do pleito de 2012. 

Ao cabo de várias reuniões e trabalho pessoal de muitos, qualificamos o partido com o ingresso de novos quadros e buscamos espaços compatíveis com a história e a grandeza do PDT, que já foi governo com prefeito de seus quadros, participou de coligações para eleições majoritárias com o PT, recentemente com o PMDB, e mantém uma bancada de 2 (dois) vereadores nas últimas três legislaturas. 

Ocorre que, neste momento, nas estradas que irão definir o futuro do PDT de Candiota, uma via aponta para a pouco provável candidatura própria. Restam assim, a possibilidade da candidatura a vice com o PT ou PMDB e como quarto caminho o simples apoio a um dos candidatos à prefeito, em troca de espaço na administração (cargo, secretaria...). 

A segunda via, a mais lógica, seria compor com o PT na chapa majoritária com quem participa da atual administração. Por parte do PDT não faltaram esforços neste sentido, que datam desde a posse da atual executiva partidária, que se intensificaram nos últimos dias, com a mobilização de todos, inclusive quando busquei o diálogo pessoal com o prefeito, por duas vezes, com outras lideranças do partido dos trabalhadores, sempre deixando bem claro que seria mais um soldado para ajudar a construir essa composição. 

Ao que parece o PT, ao definir sua chapa majoritária com o candidato a vice do PSDB, acenando com (“pirulito”) mais uma secretaria no governo, coloca o PDT na vala comum dos pequenos partidos, avaliação bem à quem da importância HOJE do PDT no cenário político de Candiota. 

Inquieta-me assistir o PDT, no momento, deixar a encruzilhada da busca do melhor caminho para a vitória do partido, desgastando-se na rótula, em círculo, fora do foco principal (futuro do PDT), ora direcionado para apoiar o candidato do PT (em troca do pirulito), ora para apoiar o candidato do PMDB (em troca do vice), deixando em segundo plano a votação que o PDT vai receber no próximo pleito. Isto é, se vai ganhar ou perder sua eleição para vereadores. 

Tenho opinião e vou expressá-la de maneira bem clara, como sempre fiz: 

Conforme dados oficiais do TSE, nosso partido, nas últimas eleições, fez 1.348 votos para vereadores. Deste total, sob a minha óptica, deixaremos de computar 636 votos de candidatos que não irão para a disputa no próximo ano. Certos, hoje, só temos as candidaturas do ver. Guilherme (263 votos), Celso (242 votos) secretário Deison (138) e de Ronei (31 votos). 

Na última eleição o coeficiente para eleger um vereador era de 677 votos. Com o aumento do eleitorado deve ficar em torno de 750 na eleição do próximo ano. Assim, em tese, mantida a votação dos candidatos citados (?) ainda assim teríamos que buscar novos candidatos à vereadores com capacidade de somarem em torno de 100 votos. 

No cenário do “pirulito” com PT, guindado a uma condição de 3º ou 4º coadjuvante na coligação, não vejo sequer a possibilidade de completarmos o quadro de candidatos a vereadores, com o risco real de não eleger nem um ou, na melhor das hipóteses, eleger apenas um. 

No cenário do vice com o PMDB, com o PDT elevado a condição de protagonista, construindo-se uma candidatura a vice, por exemplos, como a do Dr. Ruy Schneider ou a professora Sandra Müller, teríamos as reais possibilidades de contar com as candidatura à vereador de Roger Schneider e de Thauana Müller, potenciais candidatos para uma votação na faixa de 200 votos, com o PDT motivado, surgindo ao natural outros nomes à concorrer, manteríamos a bancada, quiçá aumentando para três vereadores e potencializando candidaturas para a eleição de 2016. Neste cenário o PDT sairia da disputa como vencedor, nosso principal foco, independente do resultado da eleição majoritária. 

No cenário do “pirulito” o maior perdedor seria o PDT, independentemente do próximo prefeito. E aqui cabe um recado, aqueles que irão decidir por seus interesses pessoais, que aproveitem bem, pois o prazo de vencimento do PDT de Candiota terminaria em 07-10-2012. A casa que hoje abriga histórias de dignas figuras, como dos ex-vereadores Gregório Ferreira, Lasareno Cardoso e Fernanda Vestfahl, viraria ruínas ou trocaria sua fachada. 

E, tenham a santa paciência, não coloquem a culpa nas minhas costas pela incompetência ou desejo do PT, em três anos, de não construir a coligação na majoritária com o PDT. 

Entregamos ao futuro, a voz da verdade! 

Vice-presidente do PDT de Candiota 

2 de dezembro de 2011

CGTEE ANUNCIA SOLUÇÃO E TRANQUILIZA MORADORES DOS CHALÉS DA VILA OPERÁRIA
                         FOTO JOÃO ANDRÉ LEHR

 
Durante a Audiência Pública, realizada 29/11 à tarde no CTG Batalha do Seival, para expor os resultados das ações acertadas no Termo de Ajustamento de Conduta – TAC firmado com o Ministério Público Federal e o Ibama, o Presidente da CGTEE, Dr. Sereno Chaise, com intermediação do vereador João Couto ( PT ) recebeu a Comissão Representativa dos moradores dos chalés da Vila Operária, constituída por Jesus Pinheiro, Gleiner André Pereira e Paulo Tieguevara de Freitas que afirmaram querer comprar os chalés. Porém devido à sua impossiblidade de fazer poupança, por causa dos baixos salários que recebem, estão sem as mínimas condições de comprá-los uma vez que não há financiamento para esse tipo de imóvel: muito velho e de madeira e a CGTEE só os vende à vista.

No início deste ano o vereador João Couto esteve no Ministério das Cidades em busca de solução. A única solução apontada foi a CGTEE repassar os chalés para a Prefeitura e esta negociá-los segundo as condições de cada família.

No entanto, dia 29/11,terça-feira, ao final da Audiência Pública, o Presidente da CGTEE, Sereno Chaise, concedeu audiência à Comissão e ao Vereador João Couto. Após ouvir os argumentos da Comissão informou que nenhuma família dos chalés corre risco de ser despejada, dissipando a angústia que reinava entre elas tendo em vista frequentes boatos de que isso aconteceria. Afirmou, ainda, que a CGTEE assinará um contrato de concessão de uso com os moradores com o direito de morar ali por toda a vida. “ Eu não vou despejar ninguém das casinhas. Podem ficar tranquilos. Tambem não vou fazer o que o vereador João Couto está propondo que é doar as casinhas para a Prefeitura. A CGTEE é uma empresa e eu tenho que zelar pelo patrimônio dela. Vou fazer com voces um contrato de cessão de uso para toda a vida. Fica bem assim?” afirmou Sereno Chaise.

Jesus Pinheiro perguntou se, ao longo da vigência desse contrato, quem obtivesse condições de comprar se poderia fazer isso. A resposta do Presidente foi afirmativa. Ao que Jesus Pinheiro acrescentou : “ Então essa proposta é muito boa e nos interessa. Com isso ficaremos tranquilos e com nosso problema de moradia resolvido”. Os demais membros da Comissão concordaram e agradeceram ao vereador João Couto por sua dedicação à solução desse problema.

“A solução foi, por um lado, o resultado da organização dos moradores, de sua disposição para a negociação e sua capacidade de propor e, por outro, a compreensão da Diretoria da CGTEE sobre como resolver um problema social grave como a falta de moradia para a camada mais pobre da população. Fico orgulhoso de ter ajudado na solução.” afirmou o vereador João Couto.

1 de dezembro de 2011

Villaverde é o candidato do PT na Capital

Alexandre Leboutte
ANTONIO PAZ/JC
Presidente da Assembleia Legislativa será aclamado como nome do partido para disputar a prefeitura 
Presidente da Assembleia Legislativa será aclamado como nome do partido para disputar a prefeitura
 
O presidente da Assembleia Legislativa, Adão Villaverde (PT), será o candidato do PT à prefeitura de Porto Alegre nas eleições de 2012. Ontem, o presidente estadual do PT, deputado Raul Pont, que concorria pela cabeça de chapa com Villaverde, anunciou a retirada de seu nome da disputa.

Com isso, Villaverde é o único pré-candidato petista ao paço municipial e será aclamado pelos 344 delegados do diretório municipal que se reunirão em convenção no sábado, no Hotel Ritter, Centro de Porto Alegre.

Em coletiva, no início da tarde de ontem, Pont explicou que sua desistência visava à "construção da unidade partidária", uma vez que seu nome não teria conseguido "atingir o consenso esperado".

Pont tinha o apoio de 161 delegados, correspondendo a 46,8% do total, enquanto Villaverde alcançava 183 delegados, representando 53,2% dos votos do diretório.

O deputado leu uma nota, com seis pontos, justificando os motivos da decisão. Cita que seu nome foi lançado para garantir que o partido tivesse candidatura própria, no momento em que surgiam vozes na sigla defendendo o apoio a outros partidos.

"A tese da candidatura própria sai vitoriosa e hoje é um consenso partidário. Fomos importantes para essa definição", comemora Pont. Mais uma vez, o deputado criticou o fato de algumas correntes terem definido apoio a Villaverde com base em "compromissos passados ou futuros", em uma alusão ao Movimento PT, grupo da ministra de Direitos Humanos, Maria do Rosário.

O coordenador-geral da tendência, Cícero Balestro, havia justificado, na segunda-feira, que, entre outros motivos, o apoio a Villaverde também se dava em retribuição ao respaldo recebido por Maria do Rosário na eleição de 2008.

A presidente da Câmara Municipal de Porto Alegre, vereadora Sofia Cavedon (PT), integrante da mesma corrente de Pont, a Democracia Socialista (DS), entende que a retirada da candidatura "foi um primeiro gesto, mas a unidade ainda precisa ser construída até sábado", revelando ser necessário um debate entre os grupos para afinar as propostas.

O secretário-geral do Governo Tarso Genro (PT), Estilac Xavier, membro da corrente PT Amplo e Democrático, que apoiava Pont, também vê a necessidade de uma discussão programática. "Não existe unidade porque se quer ou se proclama; a unidade tem de vir através de convicções. Todos precisam estar convergindo para que tenhamos uma candidatura forte", argumenta Estilac.

Para Villaverde, não há mal-estar ou divisão entre os grupos que apoiaram as duas pré-candidaturas. "O debate de ideias e as posições muitas vezes contundentes acerca de determinados temas nunca foram tabu no PT. Pelo contrário, faz parte da história de valorização da democracia interna", entende o presidente da Assembleia.

Villaverde telefonou para o correligionário, logo após a coletiva em que anunciou a retirada de sua pré-candidatura, e o convidou para uma conversa. No final da tarde, os dois tiveram um encontro a portas fechadas, no gabinete de Pont na Assembleia.

"O gesto dele pavimentou o caminho para a grande unidade. Agora vamos fazer uma convenção e estabelecer as diretrizes de um programa que planeje a Porto Alegre do futuro e tire a Capital desse adormecimento em que está", discursou Villaverde, já em tom de campanha.

A executiva municipal do PT faz reunião ordinária às 19h de hoje para acertar detalhes da convenção. O presidente da executiva, vereador Adeli Sell, afirma que o encontro de sábado vai tratar da política de alianças e da tática eleitoral da campanha, além de aclamar Villaverde como candidato petista à prefeitura da Capital em 2012.

‘Posição de Raul foi decisiva para a candidatura própria'

O chefe da Casa Civil do governo do Estado, Carlos Pestana (PT), avaliou ontem que o lançamento do nome do presidente estadual do PT, Raul Pont, na disputa interna do partido foi decisivo para garantir a candidatura própria petista nas eleições da prefeitura de Porto Alegre em 2012. Pestana observou que os nomes até então apresentados eram "de composição" com outras chapas e que a partir da inscrição de Pont houve a consolidação da ideia de um candidato petista na cabeça de chapa.

Depois da coletiva em que o presidente estadual do PT anunciou a retirada de sua candidatura, Pestana afirmou que todo o partido irá trabalhar por Adão Villaverde, mas projetou uma eleição difícil em 2012. Ele comparou ao cenário de 2010, quando Tarso Genro (PT) venceu o pleito ao Palácio Piratini, derrotando a governadora Yeda Crusius (PSDB), que tinha uma gestão mal avaliada, e José Fogaça (PMDB), de outro campo político.

"Agora os candidatos que enfrentaremos são mais ou menos do mesmo espectro, fazem parte dos governos Tarso e Dilma Rousseff (PT). E são fortes, tanto a Manuela d'Ávila (PCdoB) quanto o prefeito José Fortunati (PDT), que tem uma administração bem avaliada segundo as pesquisas." Segundo Pestana, o desafio é definir a estratégia do PT o quanto antes para poder superar Manuela e Fortunati. A ideia é que o tema comece a ser discutido já na convenção de sábado.
Carvão será a principal fonte energética no mundo até 2050

Projeção é que a produção do mineral dobre nos próximos anos, superando o petróleo
ANTONIO PAZ/JC
Emissão de CO2 deve diminuir, diz Vicente 
 
Emissão de CO2 deve diminuir, diz Vicente
 
Apesar do aumento de gerações renováveis como a solar e a eólica, em 2050, individualmente, a fonte predominante de produção de energia primária no planeta deverá ser o carvão. A perspectiva é de que esse mineral, entre 2000 e 2050, dobre sua produção e supere o petróleo dentro da matriz energética mundial.

O insumo saltará de um consumo de 97 exajoule (EJ) registrado em 2000, para algo entre 208 EJ e 263 EJ, em 2050. A elevação do uso do carvão será ocasionada pelo crescimento da população mundial que chegará a cerca de 9 bilhões de pessoas, aumentando, por consequência, a demanda de energia. Essa perspectiva foi apresentada durante a palestra Encontro Energia 2050, promovida ontem pela empresa Shell na faculdade de Engenharia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs). A expansão do carvão será favorecida pelas crescentes preocupações energéticas. As forças políticas e de mercado favorecem o desenvolvimento do mineral como uma opção energética de baixo custo, apesar dos seus impactos ambientais.

Em parte como resposta às pressões públicas pela independência energética e porque o carvão fornece uma fonte local de emprego, as políticas governamentais em muitas das maiores economias incentivam este recurso.

O responsável pelas relações governamentais da Shell Brasil, Tiago de Moraes Vicente, destaca que o carvão é abundante em algumas regiões do planeta como, por exemplo, a Ásia. "Por isso, ele deve subir na matriz energética devido aos crescimentos futuros da Índia e da China", projeta. No entanto, ele não acredita que esse combustível fóssil tenha um incremento expressivo no Brasil.

Mesmo com o avanço do carvão mineral, Vicente diz que as emissões de CO2 poderão diminuir futuramente com o aprimoramento da tecnologia, medidas de captura e sequestro do dióxido de carbono e iniciativas de eficientização energética. Além disso, se somadas, as fontes eólicas, solar, biomassa (matéria orgânica) e outras renováveis, produzirão mais energia do que o carvão.
O roubo do século
Samuel Casal
por Silvio Caccia Bava
http://diplomatique.uol.com.br/
Os bancos ficaram grandes demais. Maiores e mais poderosos que os governos, eles hoje mandam no mundo e impõem as regras do jogo financeiro internacional. Na crise de 2007/2008 eles impuseram que os governos pagassem as suas contas com dinheiro público, quando suas especulações no mercado não deram certo. Agora, em uma situação muito mais delicada, com os governos já endividados pelo movimento anterior, novamente essas instituições cobram o socorro dos governos nacionais e mesmo da União Européia.

Desconhecendo as lições da crise anterior e até mesmo aumentando os riscos de praticar uma especulação ainda mais intensa, muitos desses grandes bancos estão hoje super expostos num duplo sentido: tanto pela operação especulativa com derivativos, alavancando seu capital na proporção de até 1:50, como é o caso do banco francês Societé
Générale; como pela compra de títulos dos governos da Grécia, Espanha, Portugal, obrigados a aceitar taxas de juros escorchantes pelo risco embutido no empréstimo. Hoje, os títulos da Grécia, pelo default anunciado, isto é, pela ameaça real do calote, valem no mercado menos que metade do seu valor de face e, se os bancos que os detém tiverem que se desfazer deles, terão grandes prejuízos. O efeito conjugado dessas duas frentes de especulação leva a um estado de endividamento dos grandes bancos internacionais que ameaça sua solvência.

A sua fragilidade, neste momento, é consequência deles próprios terem criado esse cassino financeiro, em que, especulativamente, ganham fortunas em poucas horas. Sua ameaça, por serem grandes demais, é que, se forem à falência, todo o sistema financeiro entra em colapso e a economia real também. É uma chantagem na qual os governos nacionais ficam reféns. E se os governos aceitam essa chantagem, como vêm fazendo, ficam eles super endividados e, para saldar as novas dívidas, acabam por promover ajustes no orçamento público que implicam corte nas políticas de previdência e nas políticas sociais, desemprego e toda uma cesta de maldades para com a população que termina por colocá-los contra o interesse das maiorias. A Grécia hoje é o melhor exemplo, mas não o único.

Nesse cenário, chamam a atenção duas iniciativas: a estatização do sistema financeiro privado, que ocorreu, por exemplo, com bancos na Irlanda e nos EUA; e os esforços de uma regulação pública supranacional, como se aplica para pôr em prática a União Européia, através do Banco Central Europeu e do Fundo de Estabilização criado há pouco. Estarão, por meio dessas iniciativas, delineando-se novas tendências no plano da governança mundial?

Como os bancos privados vieram se constituindo como os atuais donos do poder? Como foram criadas as condições para que a ciranda do cassino financeiro ameaçasse toda a população do mundo com uma possível Segunda Grande Depressão? Será possível reunificar o que a doutrina neoliberal impôs, que é a separação entre a economia e a política? Haverá possibilidade de um controle democrático do mundo das finanças? Ou continuaremos com a socialização das perdas e a privatização dos ganhos?


Silvio Caccia Bava é editor de Le Monde Diplomatique Brasil e coordenador geral do Instituto Pólis.

28 de novembro de 2011

BETH CARVALHO - " SÓ ACREDITO NO MODELO SOCIALISTA. É O ÚNICO QUE PODE SALVAR A HUMANIDADE."

Beth Carvalho: "CIA quer acabar com a cultura brasileira"

Em entrevista ao jornalista Valmir Moratelli, do iG por ocasião do lançamento do CD de músicas inéditas "Nosso samba tá na rua" - dedicado a dona Ivone Lara, com canções sobre a negritude, o amor e o feminismo - a cantora Beth Carvalho é mordaz : "a CIA quer acabar com o samba. É uma luta contra a cultura brasileira. Os Estados Unidos querem dominar o mundo através da cultura", diz a cantora, presidente de honra do PDT.

George Magaraia

"Só acredito no modelo socialista, é o único que pode salvar a humanidade"

iG: Em seu novo CD, a letra "Chega" é visivelmente feminista. Por que é raro o samba dar voz a mulheres?

Beth Carvalho: O mundo, não só o samba, é machista. Melhorou bastante devido à luta das mulheres, mas a cada cinco minutos uma mulher apanha no Brasil. É um absurdo. Parece que está tudo bem, mas não é bem assim. Sempre fui ligada a movimentos libertários.

iG: De que forma o samba é machista?

Beth Carvalho: A maioria dos sambistas é homem. Depois de mim, Clara Nunes e Alcione, as coisas melhoraram. O samba é machista, mas o papel da mulher é forte. O samba é matriarcal, na medida que dona Vicentina, dona Neuma, dona Zica comandam os bastidores da história. Eu, por exemplo, sou madrinha de muitos homens (risos).

iG: A senhora é vizinha da favela da Rocinha. Como vê o processo de pacificação?

Beth Carvalho: Faltou, por muitos anos, a força do estado nestas comunidades. Agora estão fazendo isso de maneira brutal e, de certa forma, necessária. Mas se não tiver o lado social junto, dando a posse de terreno para quem mora lá há tanto tempo, as pessoas vão continuar inseguras. E os morros virarão uma especulação imobiliária.

iG: Alguns culpam o governo Leonel Brizola (1983-1987/1991-1994) pelo fortalecimento do tráfico nos morros. A senhora, que era amiga do ex-governador, concorda?

Beth Carvalho: Isso é muito injusto. É absurdo (diz em tom áspero). Se tivessem respeitado os Cieps, a atual geração não seria de viciados em crack, mas de pessoas bem informadas. Brizola discutia por que não metem o pé na porta nos condomínios da Avenida Viera Souto (em Ipanema) como metem nos barracos. Ele não podia fazer milagre.

iG: Defende a permanência de Carlos Lupi no Ministério do Trabalho?

Beth Carvalho: Olha, sou presidente de honra do PDT porque é um título carinhoso que Brizola me deu, mas não sou filiada ao PDT. Não tenho uma opinião formada sobre isso, porque não sei detalhes. Existe uma grande rigidez a partidos de esquerda. Fizeram isso com o PCdoB do Orlando Silva, e agora fazem com o PDT. O que conheço do Lupi é uma pessoa muito correta. Eles deveriam ser menos perseguidos pela mídia.

iG: Aqui na sua casa há várias imagens de Che Guevara e de Fidel Castro. Acredita no modelo socialista?

Beth Carvalho: Eu só acredito no modelo socialista, é o único que pode salvar a humanidade. Não tem outro (fala de forma enfática). Cuba diz 'me deixem em paz'. Os Estados Unidos, com o bloqueio econômico, fazem sacanagem com um país pobre que só tem cana de açúcar e tabaco.

iG: Mas e a falta de liberdade de expressão em Cuba?

Beth Carvalho: Eu não me sinto com liberdade de expressão no Brasil.

iG: Por quê?

Beth Carvalho: Porque existe uma ditadura civil no Brasil. Você não pode falar mal de muita coisa.

iG: Como quais?

Beth Carvalho: Não falo. Tem uma mídia aí que acaba com você. Existe uma censura. Não tem quase nenhum programa de TV ao vivo que nos permita ir lá falar o que pensamos. São todos gravados. Você não sabe que vai sair o que você falou, tudo tem edição. A censura está no ar.

iG: Mas em países como Cuba a censura é institucionalizada, não?

Beth Carvalho: Não existe isso que você está falando, para começo de conversa. Cuba não precisa ter mais que um partido. É um partido contra todo o imperialismo dos Estados Unidos. Aqui a gente está acostumada a ter vários partidos e acha que isso é democracia.

iG: Este não seria um pensamento ultrapassado?

Beth Carvalho: Meu Deus do céu! Estados Unidos têm ódio mortal da derrota para oito homens, incluindo Fidel e Che, que expulsaram os americanos usando apenas o idealismo cubano. Os americanos dormem e acordam pensando o dia inteiro em como acabar com Cuba. É muito difícil ter outro Fidel, outro Brizola, outro Lula. A cada cem anos você tem um Pixinguinha, um Cartola, um Vinicius de Moraes... A mesma coisa na liderança política. Não é questão de ditadura, é dificuldade de encontrar outro melhor para ocupar o cargo. É difícil encontrar outro Hugo Chávez.

iG: Chávez é acusado por muitos de ter acabado com a democracia na Venezuela.

Beth Carvalho: Acabou com o quê? Com o quê? (indaga com voz alta)

iG: Com a democracia...

Beth Carvalho: Chávez é um grande líder, é uma maravilha aquele homem. Ele acabou com a exploração dos Estados Unidos. Onde tem petróleo estão os Estados Unidos. Chávez acabou com o analfabetismo na Venezuela, que é o foco dos Estados Unidos porque surgiu um líder eleito pelo povo. Houve uma tentativa de golpe dos americanos apoiada por uma rede de TV.

iG: A emissora que fazia oposição ao governo e que foi tirada do ar por Chávez...

Beth Carvalho: Não tirou do ar (fala em tom áspero). Não deu mais a concessão. É diferente. Aqui no Brasil o governo pode fazer a mesma coisa, televisão aberta é concessão pública. Por que vou dar concessão a quem deu um golpe sujo em mim? Tem todo direito de não dar.

iG: A senhora defende que o governo brasileiro deveria cassar TV que faz oposição?

Beth Carvalho: Acho que se estiver devendo, deve cassar sim. Tem que ser o bonzinho eternamente? Isso não é liberdade de expressão, é falta de respeito com o presidente da República. Quem cassava direitos era a ditadura militar, é de direito não dar concessão. Isso eu apoio.

iG: Por ser oriundo dos morros, o samba foi conivente com o poder paralelo dos traficantes?

Beth Carvalho: Não, o samba teve prejuízo enorme. Hoje dificilmente se consegue senhoras para a ala das baianas nas escolas de samba. Elas estão nas igrejas evangélicas, proibidas de sambar. Não se vê mais garoto com tamborim na mão, vê com fuzil. O samba perdeu espaço para o funk.

iG: Quem é o culpado?

Beth Carvalho: Isso tem tudo a ver com a CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA), que quer acabar com o samba. É uma luta contra a cultura brasileira. Os Estados Unidos querem dominar o mundo através da cultura. Estas armas dos morros vêm de onde? Vem tudo de fora. Os Estados Unidos colocam armas aqui dentro para acabar com a cultura dos morros, nos fazendo achar que é paranoia da esquerda. Mas não é, não.

iG: O samba vai resistir a esta "guerra" que a senhora diz existir?

Beth Carvalho: Samba é resistência. Meu disco é uma resistência, não deixa de ser uma passeata: "Nosso samba tá na rua".

Fonte: iG