22 de janeiro de 2012

Técnicos verificam situação da seca em comunidades quilombolas da Campanha
Crédito: Divulgação
Um grupo formado por técnicos da área rural visitou, nos dias 17 e 18 de janeiro, cinco comunidades quilombolas da Região da Campanha para verificar a situação dos locais em relação à estiagem, que, desde novembro, causa prejuízos no setor rural em todo o Estado. O objetivo do roteiro foi estabelecer uma pauta para ser tratada junto aos governos federal, estadual e municipal, visando ao atendimento das demandas emergenciais destes pequenos produtores rurais.

Na terça-feira (17/01), foram visitadas as comunidades dos municípios de Aceguá, Candiota e Bagé. Na quarta-feira (18/01), pela manhã, o mesmo trabalho foi feito em Caçapava do Sul. À tarde, o grupo se reuniu em Bagé com as lideranças dos quilombolas para elaborar um plano de ação para o ano de 2012. O objetivo do encontro foi reunir informações que facilitem o acesso a políticas emergenciais e de médio e longo prazo, que possam resolver as demandas históricas das comunidades.
Dentre as necessidades levantadas pelas comunidades, as principais são água para o consumo humano, disponibilização de água para os animais, através de açudes, e alimentação para os animais.

O grupo que visitou as comunidades quilombolas da região é formado pelo coordenador adjunto da Secretaria de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo na Região da Campanha, Nei Maurente, pelo assessor técnico da Emater/RS-Ascar, Carlos Humberto Oliveira Alves, pelo coordenador da Rede Técnica Quilombos do Sul, Carlos Renato Neves Vaz, pela extensionista de bem-estar social da Emater/RS-Ascar, Luana Alves, pelo vereador de Aceguá, Reovaldo Rodrigues, e pelo coordenador da Divisão Quilombola da SDR, Joel dos Santos.

Foram visitadas as seguintes comunidades na Região da Campanha: Comunidade Quilombola da Vila da Lata e Comunidade Quilombola do Tamanduá, em Aceguá; Comunidade Quilombo Candiota, em Candiota; Comunidade Quilombola da Picada das Vassouras, em Caçapava do Sul; e Comunidade Quilombola das Palmas, em Bagé.

Comunidade da Vila da Lata

Em reunião realizada na terça-feira (17/01) com o prefeito de Aceguá, Gerhard Martens, o grupo expôs a preocupação com a Comunidade Quilombola da Vila da Lata, uma das localidades mais afetadas pela seca. No local foi construído um poço artesiano de 53 metros de profundidade, mas a água é de baixa qualidade para o consumo humano. Os produtores da região teriam à disposição uma cisterna de 10 mil litros, no entanto, o reservatório apresenta vazamento, o que dificulta o armazenamento de água.

“Apesar de a comunidade ter a rede de água pronta, eles chegam a passar uma semana consumindo a água do poço, por falta de recipiente para reserva de água, fato que chamou a atenção, visto que a Defesa Civil do Estado, ainda no ano passado, disponibilizou, para as prefeituras, caixas de água de 500 litros, exatamente para atender a essa demanda das comunidades mais frágeis”, destacou Alves.

Assessoria de Imprensa da Emater/RS-Ascar - Regional Bagé
Jornalista Felipe Rosa
frosa@emater.tche.br
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21 de janeiro de 2012

“Como mudar o mundo?” Por Esther Vivas

                                   http://www.brasilautogestionario.org
Posted on January 20, 2012 by luciouberdan
 
Como mudar o mundo? Esta é a pergunta que se fazem milhares de pessoas empenhadas em mudar as coisas, a pergunta que se repete frequentemente nos encontros sociais alternativos… uma pergunta que como bem dizia o filósofo francês Daniel Bensaïd não têm resposta porque “Não nos enganemos, ninguém sabe como mudar o mundo”. Não temos um manual de instruções mas sim temos algumas pistas de como fazê-lo e algumas hipóteses de trabalho.
A luta na rua e nos movimentos sociais é a primeira premissa, já que não haverá mudanças espontâneas desde cima. Aqueles que hoje ostentam o poder não renunciarão sem mais a seus privilégios. Qualquer processo de mudança será fruto da tomada de consciência dos de baixo e do combate para recuperar nossos direitos desafiando desde a rua os que mandam. Assim demonstra a história.

Mas também é necessário construir alternativas políticas que avancem mais além da mobilização social, já que não podemos limitar-nos a ser um lobby daqueles que mandam. É necessário ser capaz de propor opções políticas alternativas antagônicas às hoje dominantes e que tenham seu centro de gravidade nas lutas sociais. Sendo muito conscientes de que o sistema não se muda desde dentro das instituições mas sim desde a rua, mas que não podemos renunciar a espaços que também nos pertencem.

Hoje as instituições estão sequestradas pelos interesses privados e do capital. Uma minoria social, que é a que detém o poder econômico, está totalmente sobre representada nas mesmas e conta com o apoio incondicional da maior parte de quem ostenta cargos eletivos. A dinâmica de ‘portas giratórias’: aqueles que na atualidade estão nas instituições e amanhã nos conselhos assessores das principais empresas do país é uma constante e uma realidade. Nos apresentam a ideologia neoliberal como socialmente dominante… e isto é falso. E por isso pensamos que vocês anti-capitalistas e anti-sistema seriam úteis nas instituições rompendo com o discurso político hegemônico. Demonstrando que “outros mundos” são viáveis e que “outra prática política” é tão possível como necessária.

Há que avançar em ambas direções e subordinar esta última a primeira, criando mecanismos de controle de baixo para cima e aprendendo com os erros do passado tanto da esquerda política como social. Partindo de que ninguém tem verdades absolutas, de que o processo de mudanças será coletivo ou não será, de que há que aprender uns com os outros, de que é necessário trabalhar sem sectarismos nem seguidismos e que frequentemente os rótulos separam mais que unem. Sem por isso cair em relativismos nem em renúncias ideológicas. Seguramente estas sejam as lições mais difíceis: romper com o domínio moral e ideológico do sistema capitalista e patriarcal.

E como mudar o mundo não é coisa de dois dias… mas sim que é uma tarefa de longo percurso, se requer constância, perseverança e de uma “lenta impaciência”, como assinalava de novo Daniel Bensaïd, é necessário ir avançando em nossas utopias desde o cotidiano em paralelo a mobilização social contra as políticas atuais e em defesa de outras medidas. Modificando o mundo em nosso dia a dia. Demonstrando com nossa prática que “outra maneira de viver” é tão possível como desejável. Alternativas desde a economia cooperativa e autogestionária, o consumo crítico e agroecológico, as finanças éticas, os meios de comunicação alternativos… são iniciativas imprescindíveis para caminhar até outro modelo de sociedade.

Sendo conscientes de que estas não são um fim em si mesmo mas sim um meio para avançar sem perder de vista um horizonte de sociedade mais justa e equitativa para todas e todos. Apostar por uma economia solidária no dia a dia e reivindicar também uma economia fiscal progressiva, que os que mais têm paguem mais, que se eliminem as SICAV, se combata a fraude fiscal; construir projetos agroecológicos e trabalhar também para que se proíbam os transgênicos, a favor de um banco público de terras; ter nossas poupanças em uma cooperativa de crédito mas reivindicar um sistema bancário público a serviço dos de baixo. O caminho se demonstra andando e não podemos esperar amanhã.

Ainda que não esqueçamos que uma mudança de modelo social requer a mobilização consciente da maioria da população e um processo de ruptura com o atual marco institucional e econômico. A irrupção da “revolução” no panorama político, a raiz das revoluções de Túnez e Egito, apesar de suas debilidades e limites, é por isso uma magnífica e inesperada notícia que nos deparamos neste 2011.

Assim mesmo temos que situar nosso papel no mundo e o impacto de nossas práticas no ecosistema. Vivemos em um planeta finito, ainda que o sistema capitalista se encarregue de que nos esqueçamos frequentemente disso. Nosso consumo tem um impacto direto ali onde vivemos e se todo o mundo consumir como fazemos aqui um só planeta não bastaria. Mas igualmente nos estimulam a um consumismo desenfreado e compulsivo, prometendo-nos que quanto mais consumo mais felicidade, ainda que a promessa depois nunca se cumpra. Há que começar a propor que talvez possamos “viver melhor com menos”.

De todos modos, nos querem fazer culpados da práticas que nos impõem. Nos dizem que vivemos em uma sociedade consumista porque as pessoas gostam de comprar, que existe agricultura industrial e transgênica porque assim queremos… mentira. Nosso modelo de consumo se baseia na lógica de um sistema capitalista que produz mercadorias em grande escala e que necessita que alguém as comprem para que o modelo siga funcionando. Nos querem fazer cúmplices de políticas que somente eles se beneficiam. Afortunadamente o mito do mais e melhor começou a romper-se. A crise ecológica que vivemos acendeu as luzes de alarme e sabemos que esta crise climática tem suas raízes em um sistema produtivista e de curto prazo.

Hoje uma onda de indignação recorre a Europa e o mundo… rompendo o ceticismo e a resignação, que durante anos tem prevalecido em nossa sociedade, e recuperando a confiança en que a ação colectiva serve e é útil para mudar a atual ordem das coisas.

 Aprendemos da Primavera árabe, do “não pagaremos sua dívida” do povo islandes, do levante popular, greve geral após greve geral, na Grécia e agora o grito de Occupy Wall Street no “coração da besta” que assinala que frente ao 1% que manda somos o 99%. Os tempos se comprimem e se aceleram. Sabemos que podemos.

*Esther Vivas é co-autora de “Resistencias globales. De Seattle a la crisis de Wall Street”, entre outros livros. Artígo publicado na revista Iglesia Viva.
Tradução: Paulo Marques

11 de janeiro de 2012



Deus e a terra em transe no Estado da seca
Editorial Notícia da edição impressa de 11/01/2012 Jornal do Comércio

É a vida nos campos que nos incomoda e importuna, por vezes, como produtores ou meros humanos com as suas incessantes demandas e não a morte, representada na agropecuária pela seca ou a enchente, que de nada necessita. Mais de 620 mil pessoas foram afetadas pela estiagem que atinge o Rio Grande do Sul desde o fim do ano passado.

 Por conta da seca, 142 municípios decretaram situação de emergência. A estiagem provocou um prejuízo nas lavouras de milho, soja e feijão de cerca de R$ 2 bilhões. O número não inclui os prejuízos no leite e hortifrutigranjeiros. Quando as exportações brasileiras do agronegócio registraram novo recorde em 2011, somando US$ 94,59 bilhões, valor 24% superior ao alcançado em 2010, com US$ 76,4 bilhões, vê-se da importância do setor. A meta do Ministério da Agricultura para 2012 é ultrapassar US$ 100 bilhões.

 Está certo, o tempo e a natureza não podemos dominar.
 Não totalmente. Porém, os instintos nos animais, a razão, o engenho e o talentos dos técnicos são inspirações de revelações que acabam como dons de Deus. De novo, estamos com Deus e a terra em transe no Estado da seca. Não é maldição nem uma das sete pragas do antigo Egito. Tão somente uma mudança que ocorre com vários motivos os quais, grosso modo, os meteorologistas, com o advento dos satélites, conseguem prever. Neste verão estava dito e escrito nos céus, seria de muita seca.

 Mas, qual, o Rio Grande teima em viver da agropecuária mas sem trabalhar para proteger a produção dos campos. Represas, açudes e cisternas são anunciados ano após ano e, aqui e ali, feitos. Falta, entretanto, fazer um planejamento de tal maneira que haja cobertura em todos os quadrantes do Estado. Preferimos, burramente, trabalhar após os problemas. Serviram de lição? Tudo indica que não.

Irrigar lavouras, fazer barragens, prover de água as regiões onde a seca é recorrente não é trabalho deste ou daquele governo. É planejamento do Estado. Tudo o que está sendo dito agora é a repetição monótona do que foi alardeado há anos. O que restou para nós outros? Pastos queimados, lavouras perdidas, gado magro e muito prejuízo. Perdas gerais. Para quem produz, para a economia gaúcha, para quem consome e para os cofres do Tesouro.

Apesar do dito popular segundo o qual as pessoas do campo são mais religiosas que as da cidade, justamente porque na imensidão dos Pampas se vê a obra grandiosa de Deus, os citadinos sofrem com os problemas da agropecuária, às vezes mais que os do campo. Resta aguardar um planejamento sério, para anos. Fora isso continuaremos com os mesmos assuntos conforme os fenômenos, inevitáveis, do tempo nos causem problemas que sabemos que existem e se repetem.

 Afinal, a sólida ciência não consiste em conhecer somente os fatos, os eventos e os fenômenos destacados e solitários. É preciso saber encadeá-los com os seus antecedentes e descortinar os princípios da natureza que os determinam e os fazem operar como partes e elementos de uma harmonia universal. Ou passamos a prevenir ou repetiremos as dificuldades.

8 de janeiro de 2012

ENERGIA PARA A COOTRACAN

Depois de um período de muitas dificuldades para destravar a Cootracan a Coordenação Administrativa chamou eleições. Em assembleia ordinária realizada dia 02 de dezembro passado foi eleita a nova direção.


O peimeiro ato desta nova diretoria foi participar, em 19 de dezembro, no salão de reuniões da Prefeitura, do ato de assinatura pelo Prefeito Luiz Carlos Folador da Lei Municipal 1290/2011, cujo ante-projeto teve a autoria do Vereador João Couto, que declara como Zona Especial de Interesse Social – ZEIS a área de 4,5ha da Cootracan, localizada na Estrada Miguel Arlindo Câmara, junto ao viaduto sobre a via férrea e ao bairro São Simão. A partir dessa declaração as agências governamentais dos tres níveis de governo poderão realizar obras de infraestrutura nesse local e dotá-lo das condições necessárias para habitabilidade. A Prefeitura poderá instalar água potável e fazer a rede de saneamento e a CEEE poderá instalar a rede de energia elétrica

E o primeiro encaminhamento da nova diretoria, ainda em 2011, no dia 28 de dezembro, foi protocolar na Companhia de Energia Elétrica Estadual – CEEE, junto à gerência regional de Bagé, o projeto da rede de energia elétrica para a área. Esse projeto foi elaborado pela equipe técnica da Prefeitura Municipal sob o comando do engenheiro eletricista Gesoni Trindade e foi recebido pelo gerente regional da estatal, engenheiro Mirabeau Borba dos Santos, que recebeu o projeto com muita disposição e afrimou que até meados deste mês, janeiro, poderá apontar quando as obras iniciarão.

Por sua vez o Prefeito Luiz Carlos Folador, ainda por ocasião da sanção da Lei 1290/2011, afirmou que, com a maior brevidade, a Prefeitura Municiapl iniciaria as obras de instalação da água potável.

Reunindo essas informações fica evidente que muito em breve os associados poderão residir nesse local, realizando seu velho sonho da casa própria por meio de sua cooperativa e com o apoio da Administração Folador/Paulo Brum.

Partiiciparam do ato de procolo do projeto da rede de energia na CEEE o Secretário de Obras Vereador Artêmio Parcianello, o Vereador João Couto, Onir Guerreiro dos Santos, Tesoureiro da |Cootracam e o engenheiro Gesoni Trindade, autor do projeto.

5 de janeiro de 2012

Estabilidade da gestante e a licença-maternidade

João Filipe Sampaio*

João Filipe Sampaio
Muito embora se ouça muito falar sobre a estabilidade no emprego garantida às empregadas gestantes, pouco sabe como funciona essa garantia trabalhista. Por esse motivo, se faz necessário tecer algumas considerações acerca de tão importante direito, em tempos em que ele está sendo ampliado.

A ampliação referida, no entanto, não diz respeito direta e especificamente à estabilidade da gestante, e sim à licença-maternidade. Essa licença é garantida às empregadas grávidas e mães recentes. Todavia, a extensão da estabilidade deve ser medida, em certos casos, de acordo com a da licença.

A estabilidade conferida por lei à gestante se inicia com a confirmação da gravidez e termina cinco meses após o parto, de acordo com o artigo 10, II, "b", do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, da Constituição Federal de 1988.

A estabilidade no emprego garante à gestante o direito de ela não ser dispensada sem justa causa. Caso o empregador opte por dispensar imotivadamente a empregada estável, ela deverá ser reintegrada no emprego ou, caso essa reintegração se torne inviável ou impossível, deverá receber uma indenização correspondente aos salários e demais benefícios aos quais faria jus até o fim do período estabilitário.

Já a licença-maternidade, de acordo com o art. 7º, XVIII, da Constituição federal, é de 120 dias, podendo ser concedida a partir do 8º mês de gestação. A licença é conferida para que a gestante possa repousar durante os últimos dias de sua gestação, preparar-se para o parto, bem como para que possa amamentar o bebê recém-nascido.

Ocorre que esse período de 120 dias da licença-maternidade é bem inferior ao período tido como ideal pela Organização Mundial de Saúde (OMS), para que as crianças sejam amamentadas, que é de, no mínimo, 180 dias. A amamentação regular durante esse período previne significativamente doenças como pneumonia, anemia e desnutrição infantil.

A fim de que essa recomendação da OMS fosse observada pelo empresariado, foi sancionada, em 2008, a Lei nº 11.770/08. Esta lei é a concretização do projeto “Empresa Cidadã”, que busca incentivar as empresas do setor privado a garantirem a extensão da licença-maternidade de suas empregadas, passando de 120 para 180 dias de afastamento do emprego.

Contudo, como observado, a lei busca somente incentivar as empresas a aderirem ao programa. Não é uma imposição. E esse incentivo se dá em forma de benefício fiscal, uma vez que o período de prorrogação, ou seja, os 60 dias a mais da licença que serão pagos pelo empregador, e não pelo INSS, serão descontados do Imposto de Renda da pessoa jurídica.

Assim, os primeiros 120 dias continuam sendo pagos pelo INSS e os 60 dias a mais serão pagos pelo empregador, que terá esse valor descontado de seu Imposto de Renda. Não há que se falar, portanto, em aumento de gastos para os empregadores.

A questão é que a lei não fala sobre como ficará o período de estabilidade da gestante no caso de prorrogação de sua licença-maternidade, e isso traz certa insegurança jurídica, uma vez que abre espaço para que haja o entendimento de que, no caso concreto, uma empregada ainda de licença possa ser dispensada imotivadamente, o que, por óbvio, seria um absurdo.

Veja a situação, por exemplo, de uma empregada que tenha sua licença de 180 dias concedida uma semana antes de ela dar à luz. Nesse caso, sua estabilidade de cinco meses após o parto só duraria, a priori, até 22 dias antes do fim de sua licença. O questionamento que se faz é: ela poderia, então, ser dispensada imotivadamente durante esse período compreendido entre o fim do prazo de cinco meses da estabilidade e os 22 dias finais de sua licença?

A resposta, de acordo com o raciocínio lógico-jurídico que deve permear o Direito (protecionista) do Trabalho, bem como o princípio da interpretação mais favorável ao trabalhador das normas desse ramo do direito, e, também, de acordo o princípio da função social da empresa, não pode ser outra se não a de que “não”. Isso porque ela não pode ser dispensada em razão da elasticidade de sua estabilidade, decorrente da prorrogação de sua licença-maternidade.

Entendimento diverso faria cair por terra a conquista ainda tímida de se colocar a saúde, o bem estar da criança, e a segurança familiar envolvidos pelo manto protetor do Direito do Trabalho e do princípio da função social da empresa.

Importante ressaltar que a medida, hoje ainda tímida, está se desinibindo, e sua essência já tomou até forma de PEC (Projeto de Emenda à Constituição): a de nº 64. Tal proposta já está em tramitação no Congresso Nacional e prevê a adesão obrigatória das empresas ao hoje chamado projeto empresa cidadã. Em breve, talvez o incentivo se torne imposição.

* João Filipe Sampaio, membro do escritório Furtado, Pragmácio Filho e Advogados Associados – joao.filipe@furtadopragmacio.com.br




Notícia da edição impressa de 27/04/2010  Jornal do Comércio

Gravidez durante o aviso-prévio garante estabilidade

A 4ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho do Rio Grande do Sul reconheceu estabilidade no emprego à trabalhadora que engravidou durante o aviso-prévio. Exames confirmaram que a concepção ocorreu durante os 30 dias do período. 

Segundo o relator do acórdão, desembargador Ricardo Gehling, o aviso-prévio é computado como tempo de serviço para todos os efeitos. Se a gravidez aconteceu no período do aviso, considera-se que ocorreu dentro do prazo contratual, garantindo, portanto, a estabilidade à gestante (de até 120 dias após o término da licença-maternidade).
O acórdão ainda destaca que a garantia contra a despedida arbitrária e sem justa causa visa à proteção do nascituro, sendo a trabalhadora mera beneficiária.

Os desembargadores reformaram a sentença original, que havia determinado a reintegração da empregada. Com a decisão do TRT-RS, ela receberá o pagamento de indenização correspondente aos salários e demais vantagens desde o ajuizamento da ação até 120 dias após o término da licença-maternidade, sem retorno ao antigo posto.

Da decisão cabe recurso. (Proc. nº 0133500-03.2009.5.04.0232).

4 de janeiro de 2012

A política ambiental de Candiota: um projeto em execução Por Aroldo Quintana*


A Secretaria de Meio Ambiente de Candiota iniciou suas atividades há um ano e meio. Havia muito a se fazer, principalmente nas questões burocráticas. Foi necessário criar e ajustar algumas leis no que diz respeito ao meio ambiente, elaborar o plano ambiental para que fosse possível, por exemplo, hoje, licenciar empreendimentos que estão se instalando no município.

Ações recentes

Nos últimos meses, é trabalhada a criação de uma Unidade de Conservação com dois mil hectares na divisa entre Candiota, Pedras Altas e Aceguá. A finalidade é preservar aquela área. Além disto, ao cadastrá-la no SNUC, o Candiota passará a receber recursos oriundos de compensações das usinas termelétricas que poderão instalar-se no município.

Outro ponto de ação é na área de 24,9 hectares, em frente ao trevo de Dario Lassance. A meta é implantar, ali, um Núcleo de Educação e Pesquisa Ambiental (NEPA). A instalação vai viabilizar a implantação de um horto municipal com capacidade de produzir em torno de um milhão de mudas de arvores nativas.

Tratamento de resíduos

Em relação aos cuidados com resíduos sólidos, após a avaliação de vários aterros sanitários e análise da lei federal 12.305, autoridades que se envolvem com as questões ambientais, esclarecidas neste assunto, consideraram o Aterro Sanitário, igual ao implantado em Candiota, como uma solução correta para o destino final de resíduos. Ele atua com todas as precauções exigidas para o tratamento do lixo e demais quesitos.
A criação do Aterro em Candiota surgiu dois meses após ter sido implantada a Secretaria de Meio Ambiente. Construído por uma empresa privada, e já com licença Ambiental da FEPAM, esta empresa fez um Investimento de R$ 4 milhões. Isto não onerou aos cofres da Prefeitura, no sentido de não ter que desembolsar para construir um Aterro ou gastar para encaminhar o lixo à outra cidade onde existe este espaço – a mais próxima fica há 300 km.  Então, após verificar que os procedimentos estabelecidos atendiam as regras ambientais vigentes, e sabendo que a Lei de Resíduos Sólidos vai exigir do município, a partir de agosto de 2014, uma política concreta do tratamento de resíduos, o empreendimento teve apoio da Administração Municipal.

Porém, é importante deixar claro que o poder público municipal acompanha os serviços executados no local. Toda a semana as atividades do Aterro Sanitário são fiscalizadas. Até agora, todos os resultados apresentados estão dentro da normalidade. Ao contrário do que foi especulado por algumas pessoas sem conhecimento para abordar o assunto, não existem urubus ou cães no local.  O odor é suportável e foi constatado apenas dentro da área de abrangência do Aterro.

O local, aliás, tem recebido a visitas técnicas de estudantes das universidades da região e recebido muitos elogios. (Então, estamos enviando algumas fotos atuais, com visão geral e clara do espaço de trabalho do Aterro). Em síntese, o Aterro Sanitário de Candiota está sobre controle e devidamente fiscalizado.

Coleta seletiva, triagem e reciclagem

Ainda na questão do tratamento de resíduos, o município trabalha, no momento, na educação ambiental relativa à coleta seletiva, triagem do lixo, na reciclagem e no consumo sustentável.

Para isto, foi elaborado e encaminhado à Fundação Nacional de Saúde (FUNASA) um projeto de a criação de uma Central de Triagem, orçada em R$ 1,4 milhão. Com isso iremos solucionar uma fase do tratamento dos resíduos. Além de proporcionar geração de renda, vai solucionar uma questão ambiental.

Estamos também providenciando a colocação de contêineres nas ruas da cidade para que os moradores possam separar o lixo seco do orgânico, e facilitar a vida dos catadores. Isto deve ser distribuído gradativamente, começando pelos pontos críticos. Também estaremos coletando pneus usados uma vez por mês, junto às residências e oficinas, borracharias e empresas.

Neste um ano e meio, tomamos algumas iniciativas e realizamos diversas atividades, porém, estamos conscientes que temos muito ainda a fazer. Estamos motivados. Ainda aguardamos a chegada de demais técnicos para completar nossa equipe e estamos estruturando a nossa repartição de trabalho. Estamos, aqui, trabalhando pelo Meio Ambiente. Em 2011, concluímos a fase burocrática e, em 2012, começaremos a desenvolver e colocar em prática novos projetos para o bem da qualidade de vida da nossa população e da preservação do Meio Ambiente.

*Secretário de Meio Ambiente de Candiota

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